terça-feira, 1 de novembro de 2011

POEMAS DE JORGE BARBOSA





JORGE BARBOSA
(1902-1971)


Jorge Vera-Cruz Barbosa nasceu na Ilha de Santiago, Cabo Verde, em 1902. Faleceu em Cova da Piedade, Portugal, em 1971. Foi funcionário público. Um dos membros mais importantes do movimento Claridade.
Publicou: Arquipélago. São Vicente: Cabo Verde, 1936; Ambiente. Praia: Cabo Verde, 1941.Caderno de um Ilhéu. Lisboa: 1956.


PRELÚDIO

Quando o descobridor chegou à primeira ilha
nem homens nus
nem mulheres nuas
espreitando
inocentes e medrosos
detrás da vegetação.

Nem setas venenosas vindas do ar
nem gritos de alarme e de guerra
ecoando pelos montes.

Havia somente
as aves de rapina
         de garras afiadas
as aves marítimas
         de vôo largo
as aves canoras
         assobiando inéditas melodias.

E a vegetação
cujas sementes vieram presas
nas asas dos pássaros
ao serem arrastados para cá
pelas fúrias dos temporais.

Quando o descobridor chegou
e saltou da proa do escaler varado na praia
enterrando
o pé direito na areia molhada

e se persignou
receoso ainda e surpreso
pensa n´El-Rei
nessa hora então
nessa hora inicial
começou a cumprir-se
este destino ainda de todos nós.


VOCÊ: BRASIL

Eu gosto de você, Brasil,
porque você é parecido com a minha terra.
Eu bem sei que você é um mundão
e que a minha terra são
dez ilhas perdidas no Atlântico,
sem nenhuma importância no mapa.
Eu já ouvi falar de suas cidades:
A maravilha do Rio de Janeiro,
São Paulo dinâmico, Pernambuco, Bahia de Todos-os-Santos.
Ao passo que as daqui
Não passam de três pequenas cidades.
Eu sei tudo isso perfeitamente bem,
mas Você é parecido com a minha terra.

E o seu povo que se parece com o meu,
que todos eles vieram de escravos
com o cruzamento depois de lusitanos e estrangeiros.
E o seu falar português que se parece com o nosso falar,
ambos cheiros de um sotaque vagaroso,
de sílabas pisadas na ponta da língua,
de alongamentos timbrados nos lábios
e de expressões terníssimas e desconcertantes.
É a alma da nossa gente humilde que reflete
A alma das sua gente simples,

Ambas cristãs e supersticiosas,
sortindo ainda saudades antigas
dos sertões africanos,
compreendendo uma poesia natural,
que ninguém lhes disse,
e sabendo uma filosofia sem erudição,
que ninguém lhes ensinou.

E gosto dos seus sambas, Brasil, das suas batucadas.
dos seus cateretês, das suas todas de negros,
caiu também no gosto da gente de cá,
que os canta dança e sente,
com o mesmo entusiasmo
e com o mesmo desalinho também...
As nossas mornas, as nossas polcas, os nossos cantares,
fazem lembrar as suas músicas,
com igual simplicidade e igual emoção.

Você, Brasil, é parecido com a minha terra,
as secas do Ceará são as nossas estiagens,
com a mesma intensidade de dramas e renúncias.
Mas há no entanto uma diferença:
é que os seus retirantes
têm léguas sem conta para fugir dos flagelos,
ao passo que aqui nem chega a haver os que fogem
porque seria para se afogarem no mar...

Nós também temos a nossa cachaça,
O grog de cana que é bebida rija.
Temos também os nossos tocadores de violão
E sem eles não havia bailes de jeito.
Conhecem na perfeição todos os tons
e causam sucesso nas serenatas,
feitas de propósito para despertar as moças
que ficam na cama a dormir nas noites de lua cheia.
Temos também o nosso café da ilha do Fogo
que é pena ser pouco,
mas — você não fica zangado —
é melhor do que o seu.

Eu gosto, de Você, Brasil.
Você é parecido com a minha terra.
O que é é tudo e à grande
E tudo aqui é em ponto mais pequeno...
Eu desejava ir-lhe fazer uma visita
mas isso é coisa impossível.
Eu gostava de ver de perto as coisas
espantosas que todos me contam
de Você,
de assistir aos sambas nos morros,
de esta cidadezinha do interior
que Ribeiro Couto descobriu num dia de muita ternura,
de me deixar arrastar na Praça Onze
na terça-feira de Carnaval.
Eu gostava de ver de perto um lugar no Sertão,
d de apertar a cintura de uma cabocla — Você deixa? —
e rolar com ela um maxixe requebrado.
Eu gostava enfim de o conhecer de mais perto
e você veria como é que eu sou bom camarada.

Havia então de botar uma fala
ao poeta Manuel Bandeira
de fazer uma consulta ao Dr. Jorge de Lima
para ver como é que a poesia receitava
este meu fígado tropical bastante cansado.
Havia de falar como Você
Com um i no si
— “si faz favor —
de trocar sempre os pronomes para antes dos verbos
— “mi dá um cigarro!”.

Mas tudo isso são coisas impossíveis, — Você sabe?
Impossíveis”.


CASEBRE
Foi a estiagem
E o silêncio depois
Nem sinal de planta
nem restos de árvore
no cenário ressequido da planície.
O casebre apenas
de pedra solta
e uma lembrança aflitiva

O teto de palha
levou-o
a fúria do sueste.

Sem batentes
as portas e as janelas
ficaram escancaradas
para aquela desolação.

Foi a estiagem que passou.

Nesses tempos
não tem descanso
a padiola mortuária da regedoria.

Levou primeiro
o corpo mirrado da mulher
com o filho nu ao lado
de barriga inchada
que se diria
que foi de fartura que morreu.
O homem depois
com os olhos parados
abertos ainda.

Tão silenciosa a tragédia das secas nestas ilhas!
Nem gritos nem alarme
— somente o jeito passivo de morrer!

No quintal do casebre
três pedras juntas
três pedras queimadas
que há muito não serviram.

E o arco do ferro do menino
com a vareta ainda presa.


POEMA DO MAR

O drama do Mar,
O desassossego domar,
                   sempre
                   sempre
                   dentro de nós!

O Mar!
cercando
prendendo as nossa Ilhas!
Deixando o esmalte do seu salitre nas faces dos pescadores,
Roncando nas areias das nossas praias,
Batendo a sua voz de encontro aos montes,
baloiçando os barquinhos de pau que vão Poe estas costas...

O Mar!
pondo rezas nos lábios,
deixando nos olhos dos que ficaram
a nostalgia resignada de países distantes
que chegam até nós nas estampas das ilustrações
nas fitas de cinema
e nesse ar de outros climas que trazem os passageiros
quando desembarcam para ver a pobreza da terra!

O Mar!
a esperança na carta de longe
que talvez não chegue mais!

O Mar!
Saudades dos velhos marinheiros contando histórias de tempos passados,
Histórias da baleia que uma vez virou canoa...
de bebedeiras, de rixas, de mulheres,
nos portos estrangeiros...

O Mar!
dentro de nós todos,
no canto da Morna,*
no corpo das raparigas morenas,
nas coxas ágeis das pretas,
no desejo da viagem que fica em sonhos de muita gente!

Este convite de toda a hora
que o Mar nos faz para a evasão!
Este desespero de querer partir
         e ter que ficar!



*Morna – música dolente de Cabo Verde.


Extraídos de
BARBOSA, Rogério Andrade. No ritmo dos tantãs; antologia poética dos países africanos de língua portuguesa;  Brasília: Thesaurus, 1991. 165 p. 

Página publicada em maio de 2008, com a autorização da Thesaurus.

Poema de Países Lusófonos Africanos

Antes dos poemas, precisamos saber o que é 
lusofonia e quais são os países Lusófonos 
Africanos. Vejamos:



Lusofonia é o conjunto de identidades culturais existentes em países, regiões, estados ou cidades falantes da língua portuguesa como AngolaBrasilCabo VerdeGaliza, Guiné-Bissau, Macau, Moçambique, Portugal, Goa, Damão e Diu, Timor-Leste, São Tomé e Príncipe  e por diversas pessoas e comunidades em todo o mundo.



Os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa, cujo acrónimo é PALOP, é um grupo formado por seis países lusófonos africanos formado em 1996. Cinco dos membros foram colônias de Portugal em África, que obtiveram a independência entre 1974 e 1975. O outro é a Guiné-Equatorial, que em 2007 adoptou o português como língua oficial.

Estes países, que se encontram organizados na Comunidade dos países de língua portuguesa (CPLP), vêm firmando protocolos de cooperação com vários países e organizações nos campos da cultura, educação e fomento, preservação da língua portuguesa e pela União Européia e outros.
  
FONTE: Wikpedia

FONTE:http://www.teiaportuguesa.com/poesiaafricalusofona/index.htm
FONTE:http://www.antoniomiranda.com.br/poesia_africana/poesia_africana.html


Nos sites mencionados acima, há vários poemas de todos esses países lusófonos. No entanto, de acordo com as habilidades e competências a serem alcançadas nesse bimestre, pesquisaremos apenas os poemas oriundos dos países lusófonos africanos tais como: Angola, Moçambique, Cabo VerdeSão Tomé e Príncipe e Guiné-Bissau. O objetivo dessa atividade é que possamos reconhecer nesses poemas marcas de afirmação identitária e expressões de etnicidade, assim como os principais problemas oriundos da colonização portuguesa. Destacar  também, expressões da oralidade e a importância desta nos idiomas crioulos (cabo-verdiano e são-tomense) como instrumento de resistência cultural e política

Os alunos da turma 701, divididos em grupos de três a cinco componentes cada, iniciarão a pesquisa nos sites acima. Cada grupo poderá escolher uma ou mais poesia dos  países lusófonos  para que possam trabalhar com os objetivos propostos.

Então, mãos à obra! 

sábado, 15 de outubro de 2011


Neste bimestre estaremos estudando TEXTO TEATRAL
 e para darmos início ao nosso estudo nada melhor do 
que uma atividade de pesquisa.
 ATIVIDADE DE PESQUISA
Para essa atividade, iremos ao laboratório de informática para, em duplas, pesquisarmos sobre o texto teatral, de acordo com o roteiro apresentado abaixo.


ROTEIRO DE PESQUISA
a. História do teatro: como, quando e onde surgiu o teatro.
b. O texto teatral e o texto narrativo.
b.Características do texto teatral.
Sites que deverão ser acessados para a pesquisa:
 Cordel dos estudantes

Ofereço este cordel
aos  alunos esforçados,
aos alunos preguiçosos,
conversadores ou calados
em nome de toda classe
de nosso querido Estado.

Aproveito para narrar
um duelo interessante
que se deu no Agrícola
com dois jovens estudantes
um não estudava nada
e o outro estudava bastante

Kamylla era uma aluna
que pensava em ser alguém
mexia no Orkut e MSN também,
mas na hora  de estudar
 já ia pegando o livro
para suas atividades aprontar

O outro aluno ao contrário,
o qual nem vou dizer o nome,
não queria fazer nada
E atrapalhava  muito os outros.
Era um menino teimoso
e também muito preguiçoso

Um dia este menino
com raiva dessa estudante
resolveu abrir o verbo e
implicar com ela bastante
esperou por ela no recreio
e gritou com a estudante

Olha só quem vem aí,
expressou bem radiante,
essa vai endoidecer
lendo livro a todo instante
Papa-livro, Metida a leitora
Biblioteca ambulante

E Kamylla olhou e disse:
é melhor ser biblioteca
e ter o saber adquirido.
E você? O que possui?
Uma cabeça esvaziada
ou melhor, cheia de coisas
que não servem para  nada

Mas se você quer mudar
estou aqui pra ajudar
venha comigo, amigo
que eu irei te mostrar
o mundo mágico dos livros
o qual você vai gostar

O outro aluno desapontado
começou a retrucar
mas foi só por um segundo
e logo começou a falar
mostra-me  este mundo mágico
que eu quero biblioteca virar.

  Autora: Sandra Cristina Tavares Fumian

PRODUÇÕES DOS ALUNOS